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Dicas de Saúde
Obesidade
Introdução
Os resultados dos estudos epidemiológicos
obtidos na última década apontam a obesidade como importante condição
que predispõe à maior morbidade e mortalidade. A prevalência
da obesidade vem aumentando em praticamente em todos os países desenvolvidos
com raras exceções bem como nos países em desenvolvimento.
No Brasil se registrou um aumento na prevalência de obesidade entre 1975
e 1997 que predominou na região Nordeste e nas faixas da população
de menor poder aquisitivo.
O excesso de mortalidade condicionada pela obesidade
decorre principalmente da maior ocorrência de eventos cardiovasculares.
De fato, a obesidade se associa com grande frequência a condições
tais como dislipidemia, diabetes, hipertensão e hipertrofia ventricular
esquerda, conhecidos fatores de risco coronariano.
Aumentos na frequência de câncer de cólon, reto e próstata
tem sido observados em homens obesos enquanto a obesidade em mulheres se associa
à maior frequência de câncer de vesícula, endométrio
e mamas. Além disso, a obesidade predispõe a outras condições
mórbidas tais como colelitíase, esteatose hepática, osteoartrite,
osteoartrose, apnéia obstrutiva do sono, alterações da
ventilação pulmonar, alterações dos ciclos menstruais
e redução da fertilidade, condições estas que experimentam
melhora com a redução de peso.
Embora ainda não existam
dados suficientes para afirmar que o tratamento efetivo da obesidade reduz a
mortalidade, não existem dúvidas de que a redução
de peso da ordem de 5% a 10% é uma medida efetiva no sentido de combater
as condições mórbidas que aumentam o risco cardiovascular
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Tratamento da
Obesidade
Os avanços ocorridos nos conhecimentos sobre a obesidade, não
foram acompanhados de grandes progressos no que se refere ao seu tratamento.
Muitas estratégias de emagrecimento têm sido tentadas, mas, via
de regra, perder peso e mantê-lo são extremamente difíceis
na maioria dos casos. A perda de peso sempre estará na dependência
de um balanço energético negativo, consequente à menor
ingestão alimentar em relação ao gasto calórico.
Classicamente esta situação é alcançada com o binômio
redução da ingestão alimentar e aumento da atividade física.
Além disso, a obesidade é uma doença multifatorial e o controle
dos fatores ambientais se faz necessário para combatê-la.
No tratamento da obesidade deve-se objetivar, não só a perda de
peso, mas também a correção dos fatores de risco cardiovascular,
dependentes da resistência à insulina. A ideia de se reduzir
o peso corporal de indivíduos obesos para valores consideráveis
normais, através de dietas com conteúdo calórico muito
baixo, vem sendo substituída por condutas que levam a um objetivo menos
ambicioso e mais realista, pela impossibilidade de se conseguir, a longo prazo,
atingir e manter o peso ideal na maioria dos casos.
O fator que dificulta o sucesso de dietas muito restritas em termos calóricos,
que produzem a curto prazo perdas ponderais significativas, é a tendência
fisiológica do organismo de se "defender" contra as variações
pronunciadas no seu peso corporal. Restrições no seu aporte alimentar
levam à ativação de mecanismos compensatórios para
minimizar a perda de peso, através da redução na taxa de
metabolismo basal como demonstrado por Leibel et al 5. Um tratamento
dietético que resulte em uma perda de peso mais modesta, mas que produza
alterações mais estáveis é provavelmente mais favorável.
Assim, perdas ponderais entre 5 e 10% do peso inicial podem ser suficientes
para produzir alterações benéficas nos níveis de
glicemia, no perfil lipídico do plasma e nos níveis da pressão
arterial.
O total de calorias a ser consumida deve ser reduzido em 500 a 1000 kcal por
dia, com base no cálculo de energia despendida pelo paciente. A dieta
assim planejada é usualmente suficiente para produzir uma perda de peso
entre 0,5 a 1,0 kg/semana. Recomendações gerais devem incluir
aumento na ingestão de fibras, que produzem maior grau de saciedade,
redução no consumo de sacarose, de álcool e de gorduras
saturadas. A proporção normal de nutrientes deve ser mantida apesar
da limitação calórica. Proteínas devem perfazer
15 a 20% da quantidade total de calorias da dieta, carboidratos devem corresponder
a 50 - 55 % e as gorduras não devem ultrapassar 30% do conteúdo
calórico total. Para melhorar a aderência do paciente à
dieta é recomendável que esta se adapte aos seus gostos, fornecendo-lhe
variadas opções de cardápio. Ao lado disso, o sucesso da
dieta depende fundamentalmente do processo de reeducação alimentar,
que faz parte da denominada terapia comportamental.
Obesidade Infantil
- Endocrinologia Pediátrica
A Endocrinologia Pediátrica é uma área de atuação
que requer a interação de conhecimentos pediátricos e de
endocrinologia para diagnóstico e tratamento de disfunções
hormonais, que se instalem desde o período neonatal até o final
da adolescência (20 anos). Tais alterações hormonais determinam
repercussões sobre o crescimento, o desenvolvimento e o metabolismo de
um organismo em fase de maturação, devendo, por isso, serem considerados
os aspectos peculiares de cada fase do desenvolvimento. O Dr. Carlos Longui,
presidente do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da SBEM, esclarece
as principais dúvidas sobre as várias fases da vida da criança.
Período Neonatal
No período neonatal, as anormalidades, mais frequentemente acompanhadas,
são as da diferenciação genital; hipoglicemias; hipotireoidismo
congênito; e hiperplasia adrenal congênita. Nas crianças
menores, predominam os quadros de crescimento deficiente, os hipotireoidismos
adquiridos, diabetes mellitus tipo 1 e os sinais puberais de apresentação
precoce.
Durante a adolescência, as queixas mais frequentes estão relacionadas
à falta de desenvolvimento puberal e genital, disfunções
tireoideanas autoimunes, diabetes mellitus tipos 1 e 2, obesidade, etc.
Crescimento Normal
O crescimento de crianças e adolescentes deve ser vigiado, desde o nascimento
até a obtenção da estatura final, utilizando-se, para isso,
gráficos de crescimento populacionais, que estejam adequadamente ajustados
para a população a que o indivíduo pertença. Os
sinais de alerta para um crescimento inadequado são: percentis ou canais
de crescimento abaixo do padrão populacional ou inferior ao esperado
para o padrão genético da família, desaceleração
do crescimento com relação à velocidade esperada para a
idade, sexo e grau de desenvolvimento, previsão de estatura final abaixo
da estatura alvo familiar.
Puberdade Precoce
Classicamente, o início da puberdade deve ocorrer entre 8 e 13 anos,
nas meninas, e no período que vai dos 9 aos 14 anos, nos meninos. Puberdades
que se iniciem, em meninas menores de 6 anos ou em meninos menores do que 7
ou 8 anos, são consideradas muito precoces, requerendo investigação
e, frequentemente tratamento. Na idade compreendida entre 6 e 8 anos (meninas)
e 7 e 9 anos (meninos) considera-se um período limítrofe, no
qual a avaliação clínica do ritmo de desenvolvimento puberal
irá definir a necessidade de investigação laboratorial
ou eventual tratamento.
Quando a precocidade ou o atraso puberal se devem, respectivamente, a uma aceleração
ou retardo constitucional do crescimento e puberdade (ACCP e RCCP), não
há prejuízo na previsão de estatura final e a repercussão
psicossocial desta variação fisiológica costuma ser de
pequena intensidade.
Nesta situação, habitualmente, não há necessidade
de tratamento. Quando a puberdade for realmente precoce ou tardia, a investigação
da causa do processo, bem como do mecanismo pelo qual o evento puberal foi ativado,
são essenciais para a correta escolha do tratamento.
Teste do Pezinho
A triagem neonatal - ou o Teste do Pezinho - deve ser realizada no momento da
alta do berçário, já entre 48 e 72 horas de vida. Isso
garantirá a detecção e tratamento do hipotireoidismo congênito
entre 10-15 dias de vida, idade esta já estabelecida como precoce o suficiente
para prevenir as alterações cerebrais. Porém um resultado
negativo nesta idade não exclui a totalidade dos casos (falso negativo)
e, portanto, crianças com sintomas sugestivos devem ser submetidas à
avaliação laboratorial para confirmação diagnóstica,
independente do resultado do primeiro teste.
Felizmente, esta falha de detecção é rara, o que torna
a triagem neonatal do hipotireoidismo congênito altamente efetiva e de
grande importância na prevenção da doença mental.
Obesidade e Diabetes
Embora não seja uma regra sem exceções, grande parte das
crianças e adolescentes obesos também terão obesidade na
idade adulta. Isso porque, além de carregarem os determinantes genéticos,
tendem a manter os erros nutricionais e sócioculturais que desencadeiam
e agravam os mecanismos geradores do ganho excessivo de peso. Portanto, embora
o tratamento medicamentoso não seja necessário durante essa fase,
todas as medidas educacionais são essenciais para a prevenção
da evolução do quadro de obesidade.
Especial atenção deve ser dada aos pacientes com história
familiar de obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial e dislipidemias,
já que a obesidade na infância já pode ser uma primeira
manifestação clínica da resistência à insulina,
envolvida na gênese da Síndrome Metabólica plenamente manifesta
no adulto.
Na vida moderna já se observa, como fenômeno mundial, o aumento
de casos de diabetes tipo 2 (que normalmente é desencadeado na idade
adulta) em crianças e adolescentes. O fato tem sido associado ao aumento
de peso e ao maior sedentarismo das crianças e adolescentes, devido às
facilidades eletrônicas para o lazer, como os joguinhos computadorizados,
além do aumento da oferta de alimentos, classificados como fast-foods.
O controle do desenvolvimento da obesidade é de extrema importância
preventiva.
Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia
e Metabologia
Para maiores informações visite o
site http://www.endocrino.org.br/
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